quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Magia

Quem, na casa dos seus vintes, não sonhou em viver sozinho?
Ou mesmo, na casa dos trinta, ser solteiro e ter uma casa só para si?
Não ter que dar satisfações, não ter que se preocupar com horas de chegada ou saída, deixar a Playstation ligada 24 horas sobre 24, jogar ao Pro Evolution Soccer 9 (sim, já tenho) sem sequer ter que interromper para jantar, ouvir a música que se quer e quando se quer, não se preocupar em ter que esconder o comando da TV não vá alguém pegar nele, poder ver a Sport TV 1, 2 e 3 durante horas, ao sábado, porque queremos saber se a equipa de chinquilho do Criciúma Paranaense conseguiu subir à terceira divisão do Nordeste brasileiro, deixar garrafas de Sagres espalhadas pela sala, quarto, casa de banho e hall de entrada, levar amigos e jogar poker até às seis da manhã enquanto se fala das mamas da vizinha do 3º andar, levar amigas todos os dias e deixar os vizinhos doidos por verem sair uma tipa diferente a cada manhã, poder adormecer no sofá com a TV ligada na canal pornográfico (o que depende muito das amigas que se leva), e tantas outras coisas que qualquer homem gostaria de experienciar na sua vida (ando a sofrer de Saramaguite aguda, daí o tamanho desta frase. As minhas desculpas).
É verdade que tudo isto é aliciante, e passa pela cabeça de todo e qualquer macho, independentemente da idade.
Mas meus amigos, eu tenho que alertar-vos para coisas bem mais importantes.
A magia. A magia de se viver com os nossos pais ou mesmo com uma mulher.
Essa magia ninguém mais vos pode dar.
E que magia é essa, perguntam vocês. Será a magia do amor materno, do carinho e apoio paterno?
A magia de viver com uma pessoa que amamos e a quem nos dedicamos? A magia de partilhar um tecto com uma mulher que nos ama?
Não.
A magia simples do dia a dia. Aquela magia que quando vivia com os meus pais acontecia todos os dias e hoje não acontece.
A roupa estava suja, espalhada no chão do quarto, e eu saía de casa. Quando voltava, como por magia, já estava lavada e engomada.
Eu estava a ver televisão ou a jogar computador, e por magia o jantar aparecia na mesa.
E depois, eu voltava para o meu quarto, e a loiça desaparecia da mesa e aparecia prontinha a ser usada de novo.
Eu hoje olho para a minha roupa e ela não aparece lavada nem engomada. A loiça, quando está suja, não aparece limpa. E o pó, o pó, esse monstro aero-transportado que teima em crescer em camadas que nos fazem pensar que o céu é o seu limite.
Antes, existia uma magia.
Tragam-me de volta a magia...

PS - Aquilo das amigas diferentes pode ou não ser verdade...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

James Bond ou Zé Talochas?

Ontem vi o novo filme do James Bond.
E confirma-se o que já no "Casino Royale" me tinha parecido: Este novo 007 é um lenhador.
Onde está a classe? A subtileza do clássico James Bond?
Para já este animal parece o Stallone nos seus melhores dias. E depois rebenta com tudo. É uma besta.
E os gadgets?! Onde estão os gadgets?! Já não há isqueiros que se transformam em balões de ar quente. O carro que tem metralhadoras dentro dos retrovisores ou que se transforma num satélite ou coisa que o valha. Não, é tudo à bruta.
Ah, e tal, lá vem um bandido com uma espingarda. E julgam que o menino puxa da caneta e a transforma numa caçadeira? Não, limita-se a dar-lhe duas bofetadas na tromba, tira-lhe a arma e mata-o. Assim, sem mais nem menos. O que é isto?! Estamos a ver um filme do Van Damme? É o Rambo MCXX?! Senhores realizadores e argumentistas e não sei o quê, lá por o Flemming ter batido a bota, não vamos agora arruinar uma vida de trabalho. Queriam fazer filmes desses, têm aí muito boa gente a querer trabalhar e a precisar de sequelas nos seus filmes. Façam o Transporter 17, com o Jason Statham, que parece que é senhor para aviar uns quantos à base da porrada. Agora não me venham é destruir o sonho Bondesco.
Eu sei, os filmes do James Bond eram muito, como se costuma dizer, "da tanga". Não pelas engenhocas, mas sim porque não há nenhum homem assim. A comer tanta gaja boa e ainda lhe sobrar tempo para dar conta de uma ou outra organização que quer controlar o mundo. Ah, e este James Bond até aparece despenteado e sujo...
É a gota de água...
A acabarem assim com os grandes clássicos, qualquer dia temos o quê?
O Zé Gato sem bigode e bem vestido?
Vamos lá ter atenção a isso, ok?

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ciência

Desde o início dos tempos que o ser humano, e também alguns políticos, se questionam com situações que não conseguem explicar.
Por exemplo, como é que o cérebro do George W. Bush consegue articular-se de forma a falar e respirar ao mesmo tempo, ou até mesmo como é que os Delfins insistem em cá andar.
Mas deixemos estas questões de parte, até porque este blog não é dedicado a situações paranormais.
Foquemo-nos (ou seja, vamos transformar-nos em focas) sim em coisas bem mais relevantes para o dia a dia do comum dos mortais: Mais algum país tem um prato cujo nome é um acto sexual de auto-satisfação?
Sim, falo-vos da Punheta de Bacalhau.
Ora bem, eu nem sei por onde começar... Porquê "Punheta"? Será que é preciso estar sozinho para confeccionar este prato? E sem a ajuda de ninguém?
Ou teremos que estar a olhar para uma revista de cozinha enquanto tratamos do assunto?
E será que depois é preciso esconder a revista debaixo da cama para os nossos pais não a descobrirem? A revista tem que estar peganhenta para ser considerada?
Mas ainda assim, a dúvida que mais me assola no meio de isto tudo é uma só: Pode ficar-se cego ao fazer uma Punheta de Bacalhau?
Tudo isto me incomoda, confesso. Até porque as conversas podem tornar-se desconfortáveis...
Imagine-se:
"Olá Luísa. Ouvi dizer que és perita em pratos de bacalhau."
"É verdade."
"Então e não me queres fazer um prato de bacalhau para eu experimentar?"
"Claro. Qual é que queres?"
"Um qualquer, desde que seja de bacalhau."
"Ah, então faço-te a minha especialidade, Punheta!"
Isto até é agradável de ouvir vindo de uma mulher, e de certa forma ilude a imaginação para uma noite muito bem passada com a tal Luísa, que diga-se, é uma grande maluca.
Agora imagine-se a mesma conversa com a nossa mãe...
Perde toda a piada.