Quem, na casa dos seus vintes, não sonhou em viver sozinho?
Ou mesmo, na casa dos trinta, ser solteiro e ter uma casa só para si?
Não ter que dar satisfações, não ter que se preocupar com horas de chegada ou saída, deixar a Playstation ligada 24 horas sobre 24, jogar ao Pro Evolution Soccer 9 (sim, já tenho) sem sequer ter que interromper para jantar, ouvir a música que se quer e quando se quer, não se preocupar em ter que esconder o comando da TV não vá alguém pegar nele, poder ver a Sport TV 1, 2 e 3 durante horas, ao sábado, porque queremos saber se a equipa de chinquilho do Criciúma Paranaense conseguiu subir à terceira divisão do Nordeste brasileiro, deixar garrafas de Sagres espalhadas pela sala, quarto, casa de banho e hall de entrada, levar amigos e jogar poker até às seis da manhã enquanto se fala das mamas da vizinha do 3º andar, levar amigas todos os dias e deixar os vizinhos doidos por verem sair uma tipa diferente a cada manhã, poder adormecer no sofá com a TV ligada na canal pornográfico (o que depende muito das amigas que se leva), e tantas outras coisas que qualquer homem gostaria de experienciar na sua vida (ando a sofrer de Saramaguite aguda, daí o tamanho desta frase. As minhas desculpas).
É verdade que tudo isto é aliciante, e passa pela cabeça de todo e qualquer macho, independentemente da idade.
Mas meus amigos, eu tenho que alertar-vos para coisas bem mais importantes.
A magia. A magia de se viver com os nossos pais ou mesmo com uma mulher.
Essa magia ninguém mais vos pode dar.
E que magia é essa, perguntam vocês. Será a magia do amor materno, do carinho e apoio paterno?
A magia de viver com uma pessoa que amamos e a quem nos dedicamos? A magia de partilhar um tecto com uma mulher que nos ama?
Não.
A magia simples do dia a dia. Aquela magia que quando vivia com os meus pais acontecia todos os dias e hoje não acontece.
A roupa estava suja, espalhada no chão do quarto, e eu saía de casa. Quando voltava, como por magia, já estava lavada e engomada.
Eu estava a ver televisão ou a jogar computador, e por magia o jantar aparecia na mesa.
E depois, eu voltava para o meu quarto, e a loiça desaparecia da mesa e aparecia prontinha a ser usada de novo.
Eu hoje olho para a minha roupa e ela não aparece lavada nem engomada. A loiça, quando está suja, não aparece limpa. E o pó, o pó, esse monstro aero-transportado que teima em crescer em camadas que nos fazem pensar que o céu é o seu limite.
Antes, existia uma magia.
Tragam-me de volta a magia...
PS - Aquilo das amigas diferentes pode ou não ser verdade...
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Subscrever:
Comentários (Atom)